A Inteligência de Dados como motor da sustentabilidade no Crédito do Trabalhador
Por Janaína Laurenti, Head de Solution Consulting da TransUnion Brasil
São Paulo, Brasil, 02 de junho de 2026 - O primeiro ano do Crédito do Trabalhador marcou a transição definitiva do consignado privado de uma promessa regulatória para uma realidade estruturante no mercado brasileiro. A modalidade resolveu com êxito uma ineficiência histórica: a dependência de convênios bilaterais entre bancos e empresas, centralizando a operação via CTPS Digital e eSocial. Essa mudança ampliou a escala e a competição, permitindo que públicos antes invisíveis, como funcionários de pequenas empresas, trabalhadores domésticos e rurais, passassem a ter acesso a programas de crédito a taxas mais competitivas.
Entretanto, este início também revelou que o perfil médio do tomador é mais arriscado do que no consignado tradicional, apresentando menor renda, menor tempo de casa e maior sensibilidade à volatilidade do mercado de trabalho. Além disso, observou-se que parte do crédito gerado resultou em um aumento notável de endividamento e não apenas na substituição de dívidas caras, o que, somado a fricções operacionais na averbação e portabilidade, exige um olhar atento das instituições financeiras.
O ambiente macroeconômico exerceu um papel ambíguo nessa evolução, funcionando simultaneamente como propulsor e limitador. Se por um lado, os juros elevados em linhas não garantidas, como o cartão de crédito, impulsionaram a demanda pelo consignado como alternativa de reorganização financeira, enquanto a previsibilidade do desconto em folha sustentou a oferta mesmo sob aversão ao risco. Por outro, o patamar elevado da Selic pressionou o custo de captação dos bancos, limitando uma queda mais agressiva nas taxas finais, enquanto a rotatividade laboral aumentou a percepção de risco de perda de vínculo.
Esse cenário exigiu das instituições uma sofisticação muito mais profunda na gestão de risco, transformando a execução sustentável em escala no principal desafio atual. Mais do que avaliar a inadimplência, tornou-se necessário às instituições monitorarem o "default operacional" causado por demissões ou trocas de emprego, além de lidarem com a complexidade técnica das plataformas públicas e investirem na prevenção a fraudes em jornadas digitais de alto volume.
Para superar esses obstáculos, empresas como a TransUnion tem contribuído com inteligência de dados que vai além do score tradicional, incorporando informações positivas, alternativas e comportamentais que capturam a estabilidade financeira e a probabilidade de ruptura do vínculo empregatício. Por meio de ferramentas robustas de prevenção a fraudes e validação de identidade, é possível garantir a segurança em ambientes digitais e a consistência das relações entre colaborador e empregador.
Aliada ao uso de analytics para a gestão de portfólio, essa abordagem tem possibilitado que as instituições financeiras otimizem a rentabilidade e personalizem estratégias de renegociação e portabilidade, garantindo que o Crédito ao Trabalhador cumpra seu papel de inclusão financeira com crescimento sustentável, mesmo diante de ciclos macroeconômicos adversos.
Dessa forma, a convergência entre políticas públicas eficientes e inteligência de dados avançada consolida o consignado privado não apenas como uma alternativa de crédito, mas como uma ferramenta estratégica para a estabilidade do sistema financeiro nacional.
A TransUnion é uma empresa global de informação e insights que oferece confiança para empresas e consumidores alcançarem grandes feitos na economia moderna. Fazemos isso fornecendo uma visão multidimensional de cada pessoa, para que ela seja representada de forma confiável e simétrica no mercado, promovendo maior inclusão financeira. Chamamos isso de Informação para o Bem®.
Por quase 60 anos, a TransUnion vem oferecendo soluções que ajudam a criar oportunidades econômicas, experiências valiosas e empoderamento pessoal. Temos mais de 13 mil funcionários em mais de 30 países, incluindo o Brasil. Por meio de aquisições e investimentos em tecnologia, desenvolvemos soluções inovadoras que, globalmente, vão além do nosso reconhecimento como agência de crédito.
A empresa está presente no Brasil desde 2012, com o objetivo de ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Em 2022, após uma década de serviços no mercado doméstico, o Banco Central do Brasil (BC) nos autorizou a operar como central de registro para informações positivas de crédito. A TransUnion cria oportunidades econômicas, empodera consumidores e apoia centenas de milhões de pessoas em segmentos como Serviços Financeiros, Seguros, Telecomunicações, Varejo, Fintechs e Indústrias, oferecendo soluções para automação de decisões, gestão de risco de crédito e prevenção de fraudes.